A única medida do custo de vida que pode ser chamada de honesta e com data — a cesta básica do DIEESE: em agosto de 2026 em Florianópolis ela custou R$ 850,90, foi o quarto lugar entre 27 capitais e 56,75% do salário mínimo líquido. Por essa métrica Floripa é mais cara que a maioria das capitais brasileiras e perde apenas para São Paulo, Cuiabá e Rio. A segunda é o aluguel: pelo índice FipeZAP de agosto de 2026 em Florianópolis pedem em média R$ 61,19 por m² por mês, é o quinto lugar entre 22 capitais, quase no mesmo nível do Rio; quarenta metros quadrados — cerca de R$ 2.450 sem condomínio e IPTU. A ressalva obrigatória: o índice considera preços anunciados, e não contratos assinados. Não há aqui valores para transporte e contas de serviços públicos: para elas não há fonte com metodologia e data de observação.
Uma medida que pode ser usada
O DIEESE junto com a Conab calcula mensalmente o custo de um conjunto de produtos básicos para um adulto nas 27 capitais. É uma referência prática por três razões: o valor é publicado todo mês, é comparável entre cidades e já é convertido imediatamente em horas de trabalho e em parcela do salário mínimo.
Agosto de 2026, parte superior e inferior da lista:
| Capital | Cesta | Parcela do mínimo líquido | Horas de trabalho |
|---|---|---|---|
| São Paulo | R$ 900,59 | 60,06% | 122 h 14 m |
| Cuiabá | R$ 851,57 | 56,79% | 115 h 34 m |
| Rio de Janeiro | R$ 851,19 | 56,77% | 115 h 31 m |
| Florianópolis | R$ 850,90 | 56,75% | 115 h 29 m |
| Porto Alegre | R$ 839,34 | 55,98% | 113 h 55 m |
| Campo Grande | R$ 805,13 | 53,70% | 109 h 16 m |
| Curitiba | R$ 798,87 | 53,28% | 108 h 25 m |
| … | |||
| Salvador | R$ 628,89 | 41,94% | 85 h 21 m |
| Natal | R$ 627,42 | 41,84% | 85 h 09 m |
| Aracaju | R$ 570,98 | 38,08% | 77 h 29 m |
Em média, nas 27 capitais a cesta consome 48,46% do salário mínimo líquido e 98 h 37 m de trabalho. “Líquido” aqui — depois da dedução de 7,5% de contribuição para a seguridade social.
Observação importante do próprio estudo: no Norte e no Nordeste a composição da cesta é diferente, portanto a coluna com o valor não compara exatamente a mesma coisa. A diferença entre Floripa e Aracaju é em parte conjuntos de produtos distintos, e não apenas preços diferentes.
Quanto "é necessário" segundo o cálculo do DIEESE
A Constituição diz que o salário mínimo deve ser suficiente para o trabalhador e sua família com respeito a alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e contribuições para a aposentadoria. A partir disso o DIEESE calcula mensalmente o mínimo necessário: em agosto de 2026 para uma família de quatro pessoas isso foi R$ 7.565,86 — 4,67 vezes o salário mínimo em vigor de R$ 1.621. Um ano antes a razão era 4,71.
Isto não é uma norma nem uma previsão, e sim um modo de medir a lacuna. Não se deve usar isso como “é o quanto uma família precisa”: o cálculo parte da cesta mais cara do país, em agosto de 2026 — a de São Paulo.
Evolução, e não só o nível
- Desde o início de 2026 até agosto a cesta ficou mais cara em todas as 27 capitais, de 2,82% em Brasília até 12,29% em Porto Velho. Mas, em agosto, ela caiu em 25 das 27 capitais.
- Em Florianópolis nos últimos 12 meses — +3,38%, desde o início do ano — +6,19%, em agosto — menos 1,14%. Em junho a cesta aqui custava R$ 918,42 — a diferença até agosto de 67 reais mostra com que rapidez esse número se move.
- Produtos individuais vão em direções diferentes: em um ano o café ficou mais barato em todo lugar, exceto em Macapá, enquanto a batata subiu de preço em todas as 11 capitais onde é contabilizada. O feijão preto em Floripa subiu 17,19% em um ano.
Para comparação com a inflação geral: o IPCA em 12 meses até agosto de 2026 — +4,22%, desde o início do ano — +3,11%, em agosto os preços no país caíram 0,32%. O IBGE não calcula um IPCA específico para Florianópolis: a cidade não faz parte das aglomerações pesquisadas por ele.
Para planejar o orçamento, oriente-se pelos números de 12 meses, e não pelos mensais, e preveja um recálculo pelo menos a cada seis meses.
Aluguel: o número existe, e se refere a anúncios
Índice FipeZAP, informe de agosto de 2026. Calculado pela Fipe — instituto de economia da USP — em parceria com portais de anúncios; cobertura de 36 cidades, sendo 22 capitais, publicação mensal. Um ponto de metodologia sem o qual o número não pode ser lido: são preços de anúncios de novos aluguéis, e não contratos assinados. Ou seja, “o quanto pedem”, e não “o quanto se paga”.
| Cidade | Preço médio, R$/m² por mês | Rentabilidade, % ao ano |
|---|---|---|
| São Paulo | 65,36 | 6,42 |
| Recife | 64,19 | 8,40 |
| Belém | 62,15 | 8,12 |
| Rio de Janeiro | 61,40 | 6,31 |
| Florianópolis | 61,19 | 5,39 |
| Índice em geral | 54,47 | 6,14 |
| Curitiba | 49,11 | 4,90 |
| Porto Alegre | 46,46 | 7,35 |
| Fortaleza | 42,16 | 4,98 |
| Joinville (SC) | 38,34 | 5,37 |
Dessa cifra decorrem quatro coisas.
Floripa no mesmo nível do Rio. Por aluguel por metro quadrado a ilha está no quinto lugar entre as capitais, a 21 centavos por m² do Rio de Janeiro; ainda em maio de 2026 estava em quarto, à frente do Rio, mas o Rio subiu bem mais rápido desde então. Isso concorda com o quarto lugar na cesta básica: a cidade é cara em mais de um item.
A ilha custa mais de uma vez e meia o preço do continente de Santa Catarina. 61,19 contra 38,34 em Joinville — a maior cidade do estado. A diferença não está na qualidade da moradia, e sim no fato de que a oferta na ilha é limitada pela geografia.
A cesta é uma média. A variação de preços entre lojas de uma mesma cidade em itens individuais chega a centenas por cento, e nisso se poupa mais do que na escolha do bairro: onde comprar o quê — em Produtos no Brasil — onde comprar e por que os preços variam tanto (em russo).
Mas o aluguel cresce mais lentamente que os demais. Em 12 meses até agosto de 2026 o aluguel em Florianópolis subiu +2,82% ante +9,16% do índice em geral e +4,22% da inflação IPCA no mesmo período — ou seja, em termos reais teve queda. Desde o início de 2026 o aumento foi +1,62%, em agosto +0,57%. Para comparar em 12 meses: Fortaleza +16,81%, Rio +14,18%, Brasília +9,98%.
Como usar isso: multiplicar pela área. Quarenta metros quadrados em agosto de 2026 — cerca de R$ 2.450 de aluguel pedido por mês, mais condomínio e IPTU, que não estão no índice. Contrato e tudo que excede o aluguel — em Aluguel de imóvel — garantias, caução e direitos do locatário; a armadilha sazonal da ilha, pela qual achar contrato anual de dezembro a fevereiro é mais difícil — em Viver em Florianópolis — a ilha pelos olhos de um morador, não de um turista.
O que não está neste artigo e por quê
Transporte, eletricidade, internet, escola, medicina — não há valores para eles aqui. A razão: um número sem fonte oficial e data de observação é pior que a sua ausência, e para essas rubricas em acesso aberto há ou agregadores sem metodologia, ou notícias sem dado primário. O aluguel saiu dessa lista porque para ele encontrou-se um índice com metodologia e publicação mensal. O resto é explicado pela estrutura de gastos, e não por um valor:
- Moradia além do aluguel — Aluguel de imóvel — garantias, caução e direitos do locatário e Imóveis e aluguel de longo prazo para estrangeiros: condomínio, IPTU, garantia — não estão no índice.
- Contas — Contas em nome próprio — luz, água, gás, internet (em russo): como transferir contas e pelo que você é responsável.
- Transporte — Transporte pelo Brasil — aviões, ônibus, táxi, aluguel de carro (em russo).
- Saúde — Assistência médica e seguro no Brasil: SUS versus plano privado.
- Escola — Escola e creche no Brasil — como matricular a criança.
- Lado da renda — Salário mínimo — federal e regional em Santa Catarina (em russo), e para Santa Catarina deve-se calcular pelo mínimo regional, que é superior ao federal.
Por que Floripa é mais cara
O quarto lugar na cesta não é acaso nem sazonal: a cidade se mantém de forma constante na parte alta da lista junto com São Paulo e o Rio. O que disso decorre para quem vai se mudar está em Viver em Florianópolis — a ilha pelos olhos de um morador, não de um turista, onde são analisadas a sazonalidade da demanda por moradia e as diferenças entre bairros.
Fontes
- T1DIEESE e Conab, Pesquisa Nacional da Cesta Básica, resultados de agosto de 2026 (publicado em 10/09/2026): tabela para 27 capitais, parcela do salário mínimo, horas de trabalho, mínimo necessáriodieese.org.br · fonte primária
- T1eSocial (Ministério do Trabalho e Emprego) — salário mínimo vigente R$ 1.621,00 desde 01/01/2026, Decreto 12.797/2025gov.br · fonte primária
- T1Índice FipeZAP, aluguel de imóveis, informativo de agosto de 2026: Florianópolis R$ 61,19/m², +1,62% no ano e +2,82% em 12 meses, rentabilidade 5,39%; índice em geral R$ 54,47, +9,16% em 12 meses. Fonte primária sobre o próprio índicedownloads.fipe.org.br · fonte primária
- T1IBGE, tabela SIDRA 1737 — IPCA: agosto 2026 −0,32% no mês, +3,11% no ano, +4,22% em 12 mesesservicodados.ibge.gov.br · fonte primária
T1 — fonte primária: lei, site do órgão, tabela. T2 — secundária: imprensa, sites especializados. T3 — outras.
