Surf no Brasil é o segundo esporte mais popular depois do futebol, segundo documentos das Reservas Mundiais de Surf. Santa Catarina forma um dos dois núcleos da cena junto com o litoral do Rio, e aqui fica a única Reserva Mundial de Surf do Brasil — Guarda do Embaú em Palhoça, a pouco mais de uma hora de Floripa. O principal a saber antes de entrar na água: as regras de prioridade na onda e que a corrente de retorno continua sendo a principal causa das operações de resgate.
Para aprender em Floripa: Floripa Surf Club (Rua Aconchego do Mar, 60, Barra da Lagoa), Campeche Surf School (Servidão Caminho dos Surfistas), Easy Surf e College Surf School na Joaquina, Ilha da Magia no Santinho. Mais três escolas com contatos estão reunidas em Onde surfar em Florianópolis e Santa Catarina — spots e onde há salva-vidas.
Guarda do Embaú — Reserva Mundial de Surf
Status formal, e não título publicitário:
- aprovada em outubro de 2016, consagrada em outubro de 2019;
- a nona Reserva Mundial de Surf do mundo e a primeira no Brasil;
- no perímetro — três ondas;
- localizada junto ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro — a maior área protegida de Santa Catarina — com o estuário do rio Madre e um sistema de dunas maduro;
- berço de Ricardo dos Santos, surfista brasileiro falecido, cujo nome deu à candidatura dimensão nacional.
Administrativamente fica em Palhoça, isto é, na mesorregião Grande Florianópolis, e para o morador da ilha é uma viagem curta, veja Santa Catarina — panorama do estado e como ele é estruturado (em russo). Mais precisamente, a vila está em Palhoça, e a própria praia ao sul do rio Madre já pertence a Paulo Lopes.
De maio a julho a Guarda do Embaú fica fechada para surf. A praia é então reservada para a pesca da tainha, assim escreve a própria Save The Waves, e o mesmo dizem fontes locais. A lei de Florianópolis sobre a temporada da tainha não se aplica aqui — ela vale somente na ilha. Palhoça tem sua própria norma: segundo a descrição do projeto 0520/2019 na Câmara de Palhoça, o surf e outras atividades aquáticas em suas praias e costões são proibidos de 1 de maio a 15 de julho. Na prática o fechamento é imposto pelos ranchos de pesca: bandeira vermelha significa que é proibido entrar na água, e se o peixe demora, às vezes deixam a praia aberta. Para essa temporada a Save The Waves recomenda a Prainha, uma pequena praia vazia para onde se vai ao longo da costa pelo lado norte da Guarda.
O status de reserva implica compromissos: a comunidade adota um plano de manejo que protege as ondas, a zona de surf e o ecossistema costeiro. Para quem vem de fora isso muda o comportamento: reserva não é "praia selvagem onde tudo é permitido", mas um território com regras e com uma comunidade local muito ativa.
Onde se surfa
Santa Catarina, ilha de Florianópolis. As praias do leste são o núcleo da cena: Joaquina (spot histórico principal e palco de competições), Praia Mole, Campeche, Barra da Lagoa. A divisão das praias por zonas está em Guia rápido — Florianópolis.
Santa Catarina, continente. Guarda do Embaú (Palhoça) e o litoral sul — Garopaba, Praia do Rosa em Imbituba, veja Litoral de Santa Catarina fora da ilha — de Bombinhas a Imbituba.
Rio de Janeiro e o litoral do estado — o segundo pilar da cena, incluindo Saquarema, chamada capital brasileira do surf e palco de etapa do circuito mundial.
Nordeste — água quente o ano todo, mas lá a cena do vento é mais forte, veja Kitesurf, windsurf e wingfoil — a cena eólica do Brasil.
Classificar spots por nível de preparação, tamanho de onda e marés é inútil: isso é muito sazonal e depende do swell, e um erro manda o iniciante para o lugar errado. Mas existe uma lista de spots de SC por nome — o rol de praias com associação local de surf, junto com aquelas onde no verão há salva-vidas: Onde surfar em Florianópolis e Santa Catarina — spots e onde há salva-vidas.
Temporada da tainha na ilha de Florianópolis: proibição por lei
Na ilha de Florianópolis o surf fica proibido de 1 de maio a 10 de julho — ocorre a pesca da tainha. Isso não é costume nem pedido dos pescadores, é uma lei municipal: art. 5 da lei 4.601/1995 na redação da lei 11.142/2024. Desde 2024 a prioridade dos pescadores vale não só sobre o surf, mas sobre quaisquer atividades aquáticas e pequenas embarcações.
Nesse período é permitido surfar livremente em seis trechos: Joaquina e Praia Mole na íntegra, mais 500 metros em Lagoinha do Leste, Matadeiro, Armação e Moçambique. Nas demais praias os ranchos içam bandeira: verde — pode, vermelho — não pode; qual bandeira é definida pela assembleia do rancho junto ao serviço municipal de pesca. A tabela completa com os limites em cada praia está em Onde surfar em Florianópolis e Santa Catarina — spots e onde há salva-vidas.
Para quem vem de fora isso é duplamente importante: maio, junho e julho são justamente a temporada em que o swell funciona no Sul, e a pessoa vem exatamente por causa da onda.
Divergência nas fontes: 10 ou 31 de julho
A imprensa e sites locais citam o fim das restrições em 31 de julho: ND Mais e Imagem da Ilha 30/04/2024, Floripa Mil Grau e Guia Ingleses 30/04/2026. Nenhum deles cita a norma, e 31 de julho aparece como fim da temporada de pesca da tainha em geral, como também anunciam cidades vizinhas como Bombinhas. A prioridade dos pescadores na água está estabelecida não pela temporada de pesca, mas pelo art. 5 da lei 4.601/1995 na redação da lei municipal 11.142 de 19/03/2024, e nela o prazo é de 1 de maio a 10 de julho. É lei de Florianópolis, não do estado nem federal.
O texto do artigo foi conferido em 30/09/2026; em 31/10/2026 o site da câmara e o agregador de leis estavam novamente bloqueados por verificação anti-robô, não sendo possível reler. Indiretamente o dia 10 de julho é confirmado por portaria da prefeitura para a temporada 2026: o transporte de passageiros para a ilha do Campeche foi suspenso de 1 de maio a 10 de julho de 2026 em razão da pesca (NSC Total, 01/05/2026). O prazo a considerar é "até 10 de julho"; depois de 10 de julho, na praia com rancho deve-se respeitar a bandeira e as redes de arrasto enquanto a pesca estiver em curso.
Regras na água — o que os visitantes não sabem
O localismo no Brasil é real, e a maior parte dos conflitos não vem de nacionalidade, mas da violação da prioridade. As regras básicas são internacionais:
- prioridade de quem está mais próximo do pico da onda — ele surfa, os demais cedem;
- não "cair" na onda de outro (drop-in) — essa é a principal falta;
- remando de volta, sair para o lado da linha de surfistas, e não atravessá-la;
- não largar a prancha — pode haver alguém atrás dela;
- a vez é respeitada, e num pico lotado é melhor o iniciante escolher a borda;
- respeito aos locais — num spot com comunidade forte, como Guarda do Embaú, isso não é cortesia, é condição para um dia tranquilo.
Iniciantes não têm lugar em spots lotados. As escolas levam para o trecho adequado.
Segurança — onde o surfista realmente corre risco
Correntes de retorno. Segundo o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, a maioria dos afogamentos no mar está relacionada a elas, e são as correntes que respondem pela maior parte das operações de salvamento. Surfistas entram nelas rotineiramente: a corrente funciona também como um "elevador" para o pico, usado conscientemente pelos experientes, e é armadilha para quem não sabe o que está ocorrendo.
A análise completa — mecânica, a regra de "nadar paralelo à praia", o sistema de bandeiras e o app com mapa de riscos — está em Água e afogamentos — correntes de retorno, bandeiras nas praias, o que fazer. É leitura obrigatória antes da primeira saída.
Bandeira vermelha significa proibição de entrar na água, e aplica-se igualmente aos surfistas.
Tubarões — assunto local do litoral do Grande Recife, não de todo o país; segundo a tabela do comitê CEMIT, entre os atingidos surfistas e banhistas se dividem quase igualmente. A análise está em Animais perigosos — cobras, escorpiões, aranhas, águas-vivas e tubarões de Recife (em russo).
Para competir
Não se chega de fora e se inscreve direto numa etapa oficial: é necessária inscrição pela estrutura esportiva do estado, e ela deve ser apresentada com antecedência. Competições amadoras e escolares têm regras próprias e exigem menos, e obtém-se informação sobre elas na escola de surf ou na associação da sua praia.
Fontes
- T1Save The Waves Coalition — Guarda do Embaú: aprovação 2016, dedicação 2019, nona Reserva Mundial de Surf; vizinha ao Parque Serra do Tabuleiro; surfe como segunda modalidade mais popular do Brasil; de maio a julho a praia é destinada à pesca da tainha e surfe não é permitido, alternativa — Prainha ao nortesavethewaves.org · fonte primária
- T1Confederação Brasileira de Surf — estrutura: federações estaduais, circuitos, livros de regras, antidoping e tribunal esportivocbsurf.org.br · fonte primária
- T1Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina — correntes de retorno, bandeiras e estatística de salvamentoscbm.sc.gov.br · fonte primária
- T1Lei de Florianópolis 10.020/2016 — proibição do surf de 1º de maio a 10 de julho fora de seis trechossistemas.sc.gov.br · fonte primária
- T1Lei de Florianópolis 11.142 de 19/03/2024 — novo art. 5 da lei 4.601/1995: de 1º de maio a 10 de julho prioridade à pesca de tainha sobre todas as atividades aquáticas e embarcações de pequeno porte, trechos livres, bandeira verde e vermelha do ranchocmf.sc.gov.br · fonte primária
- T2NSC Total, 01/05/2026 — portaria da Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura de Florianópolis: transporte para a ilha do Campeche suspenso de 1 de maio a 10 de julho de 2026 por causa da pesca da tainhansctotal.com.br · fonte secundária
- T3ND Mais, 30/04/2024 — «até 31 de julho», proibição de todos os esportes aquáticos; norma não mencionada. Fonte de divergência, não de apoiondmais.com.br · outra
T1 — fonte primária: lei, site do órgão, tabela. T2 — secundária: imprensa, sites especializados. T3 — outras.
